Norma Bruno

De Humanas, Demasiado de Humanas

Janelas de Lisboa

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Acordo alvoroçada.  São 07h45 e um casal discute em algum ponto do casario. Abro a janela e dou com um grupo de mochileiras muito louras a olhar maravilhadas ao derredor. Uma delas me aponta com a cabeça. Talvez pela minha cara de sonada, percebo que me confundem com uma lisboeta. Faço pose.

Um casal de jovens passa cantarolando um clássico do Rock em alemão, cada qual com uma cerveja na mão. Um cachorro puxa o dono morro acima e alivia-se diante da minha janela. O cachorro.

Um sósia do João Bosco, só que mais feio e sem charme, passa também e alivia sua inquietação mexendo freneticamente no celular.

Um homem de cabelo ralo e jaqueta do Che desce a ladeira com passos trôpegos e olhar embotado. Jovens asiáticas muito arrumadinhas e falando baixinho  tiram fotos com seus aparelhos de última geração. Um alemão filma tudo enquanto o Elétrico, que em outros horários sempre vai socado de gente, desce a colina com apenas quatro senhorinhas. Essas, sim, autênticas. O casal silencia. Devem ter se entendido.

Lisboa, 13 de outubro de  2017

Chiado, Casa da Bica . Foto minha

 

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  1. Cris de Sá

    Delícia de cotidiano displicente…💓

  2. Ivete Silveira

    Vidinha boa, amiga. Tu mereces.

  3. Oi, Norma! Isso sim que é um verdadeiro “retrato falado” ou falante… gravando pelos tempos sem fim um momento no tempo… em Lisboa! Chique. Amei.

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