No corredor a vigilante me entregou a senha e a instrução de aguardar. Ao abrir a porta, um mundaréu de gente! Muitas pessoas sentadas e ainda mais gente em pé. Nem tive tempo de procurar uma parede para me escorar e liberou o primeiro assento da fila mais próxima. Semana começando bem.

Abri um livro certa de que a coisa ia demorar. Em seguida a pessoa ao lado foi chamada. Uma senhora de cabelo pintado de preto sentou. Trocamos aquele sorrisinho próprio das boas práticas sociais. E a moça chamando! Era um tal de senta e levanta de gente que ficou impossível me concentrar na leitura. Daí que, preocupada em não perder a vez, passei a prestar atenção nos nomes chamados.

Como costuma acontecer em consultórios médicos, clínicas e hospitais, muitos velhos, pessoas de nomes simples como se usava antigamente, alguns de nomes estrangeiros,  alguns exóticos e também os inusitados, sempre os há. – Maria Consoladora!

A mulher ao meu lado não se conteve. – Cada nome que as mães da gente botam nos filhos, né? Concordei, mas argumentei que, por mais que o filho não goste do próprio nome, é importante lembrar que, em geral, a pessoa escolhe o que acha mais bonito. Que nem a gente fez com nossos filhos. Se bem que tem uns que, às vezes, eu penso: – Onde é que essa mãe tava com a cabeça, Santo Deus???  Não mencionei isso, claro! Desatamos a prosear sobre o tema.

Falamos da enxurrada de nomes da moda numa mesma geração, dos nomes compostos, das combinações esdrúxulas, da verdadeira tragédia ortográfica dos nomes estrangeiros de grafia abrasileirada que exigem soletrar o nome da criança desde a Carteira de Vacinação até o atestado de óbito, dos nomes dos nossos filhos, os meus e os dela, lindos, por sinal, dos nomes dos netos e já estávamos enveredando para outro assunto quando a moça chamou o nome dela. Gravidez indesejada. Só pode!