Norma Bruno

De Humanas, Demasiado de Humanas

A Casa Imaginária

A casa é antiga. No quintal tem jabuticabeira, pé-de-caqui e varal com roupa limpa. Também tem riso de criança. Na cozinha, uma mulher prepara o alimento dos filhos. No quartinho dos fundos vive uma mulher mais velha que o Tempo. No seu Baú dos Guardados, sempre limpo e bem passado, o melhor vestido espera o fatídico dia.

No centro da casa tem uma alcova com cama boa  e lençóis bordados em flores de alfazema. Sobre a cama, colocado com esmero,  jaz um ramo de amor-perfeito recém-colhido. Há também um sótão para abrigar os fantasmas sem os quais não se faz uma casa antiga de verdade.

Ao redor sopra um vento fiel e íntimo, como inquilino. Sem cerimônia, ele entra pela casa misturando cheiros: mofo, ervas e alfazema. Depois sai deixando restos de nuvens e asas de borboletas sobre o assoalho.

É de barro, pedra e Poesia essa casa que habito e onde teço e tramo com palavras. Entre as quatro paredes, e além delas, nada é só o que parece. O Amor é a viga-mestra que me sustenta nos dias alegres e nos tristes. Ao longe as montanhas são azuis. Como o mar que se avista das janelas.

 

Foto: Roney Prazeres. Aquele que faz Poesia com palavas e imagens.

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  1. Cláudia K

    Que coisa mais linda!!!

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