Norma Bruno

De Humanas, Demasiado de Humanas

Categoria: Lisboa

A Feira da Ladra

Feira da Ladra

Enquanto me arrumo a Filha entra no Google em busca de mais informações. Está tudo lá: a Feira da Ladra é um Mercado de Pulgas muito popular situado no Campo de Santa Clara, em Lisboa, cujas raízes remontam ao século XIII, na Freguesia de São Vicente de Fora.

O início teria se dado no Chão da Feira, no Rossio, em 1272, tendo presumidamente permanecido ali até 1552, segundo registro. A partir daí a Feira teria migrado de sítio em sítio, sem perder a sua principal característica. Na Feira da Ladra vende-se de um tudo e muitas outras coisas. Sua peculiar denominação consta em documento oficial de 1610.

Após o “terramoto” que devastou Lisboa em 1755, a Feira instalou-se na Cotovia de Baixo, hoje Praça da Alegria, alternando períodos entre esse sítio, o Campo de Santana (1823) e o Campo de Santa Clara (1835) onde, a partir de 1882, se fixou de vez.

Terça é, desde o início, o dia tradicional da Feira, mas a partir de 1903, quando o segundo dia foi implantado, o sábado é de longe o dia mais concorrido. Por isso mesmo tínhamos programado o sábado, dia 14, mas uma vez que tivemos que retornar à Aveiro já que nos vimos desalojadas em Lisboa, o que nos sobra é a terça. Diante das circunstâncias, nos damos por satisfeitas.

Da Padaria Portuguesa onde fazemos o Pequeno Almoço, seguimos direto para a Feira da Ladra de Tuk Tuk, o que é em si, uma experiência. – Mãe, olha esse comentário aqui no site da Feira:– Socorro!!!! Quero sair daqui!!!! Horrível essa Feira da Ladra! Só tem velharia!” Desatamos a rir enquanto o Tuk Tuk se esforça para subir a colina e eu penso que esse é um nome adequado para esse veículo.

A Arcada do Castelo descortina um verdadeiro portal: estamos na Feira da Ladra. Depois de um quase entrevero com o condutor do Tuk Tuk que tenta nos aplicar o golpe do “não tenho troco” para cobrar vinte euros por uma corrida de quinze, saímos a andar, maravilhadas. Entre os feirantes, muitos ciganos, muitos indianos, a maioria sem falar uma única palavra em português, mas fazendo troco muito bem, e negros com jeito de a recém-chegados ao país.

A manhã se esvai rapidamente entre bugigangas e preciosidades e não é preciso andar pra muito para constatar: – Eu quero morar aqui, Filha!!!!! – Só tem velharia!, completamos a frase em uníssono. A Filha é das minhas! Quanto ao nome da Feira… Chuta!

Lisboa, 17 de Outubro de 2017

*Sobre as emoções de virar sem-teto em Lisboa a gente conversa outro dia.

Janela de Cronista

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A Casinha é mágica! Há um banco de pedras junto à janela. Já vejo a senhorinha lendo,  bordando, cosendo, remendando ceroulas enquanto especula a vizinhança. Mas não é só. Há um detalhe inusitado: na janela da sala há um curioso “olho mágico” para que a especuladeira possa assuntar a vida alheia sem ser observada. Há um olho mágico também no quarto para o caso de uma “emergência” durante a madrugada.  Não, não eram fofoqueiras as senhorinhas. Eram apenas as cronistas de antanho. Afinal, o que é um cronista senão alguém que observa a vida alheia sem ser visto e depois sai contando as coisas pra todo mundo?

IMG_20171012_143047121_HDRCasinha da Rua da Bica de Duarte Belo no Chiado, em Lisboa

 

*As especuladeiras da Ilha de Santa Catarina têm tradição!

 

“Não me Venhas de Borzeguins ao Leito!”

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O Bacalhau vem muito bem servido. Delicioso! Ainda assim como pouco. Afinal, estamos há “dezassete” dias passando bem e temos mais quatro dias de orgia gastronômica pela frente. Peço a conta. O garçom, mal-humorado, como a maioria dos portugueses, me chama na chincha! – O que há de errado com o Bacalhau?? – Nada, é que veio muito, respondo sem esconder a surpresa. – Veio a quantidade certa! Argumento que fiz o “pequeno almoço” muito tarde isentando o pobre bacalhau de toda e qualquer responsabilidade. Ele se dá por satisfeito. Simpatizo com pessoas que têm orgulho de ser quem são!

Alfama, Lisboa, 17 de outubro de 2017

*Algo que aprendi sobre os garçons portugueses: se não vier azeite à mesa, não peça. Das vezes em que isso aconteceu a resposta foi a mesma: – O prato já foi preparado com azeite! Posso estar enganada, mas…

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