Norma Bruno

De Humanas, Demasiado de Humanas

Categoria: Outros (Página 2 de 51)

Horizonte – Um Ponto Final no Mar

A visão que tenho do ponto final do mar
Na distância que não posso medir
É a noção que tenho do horizonteMesmo não sabendo o que lá existe
Fixo o meu olhar em um ponto distante
Na esperança de ver o que há de vir

Meu horizonte é todo feito de mar
De velas ao longe
De barcos e portos que não conheço

Meu horizonte é repleto de lonjuras
De viagens que se demoram
De desejos de chegada

Meu horizonte é ponto de saudade na distância
É o encontro de todos os oceanos
É porto de chegada de todos os navegantes

Meu horizonte é feito do desejo
De navegar na direção de um lugar
Guardado no outro lado do mar

Roney Prazeres

Ilha de Santa Catarina
Setembro2017

Foto Morro das Pedras Roney Prazeres

Foto: Roney Prazeres. Local: Morro das Pedras. Sul da Ilha de Santa Catarina

Banzo

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De súbito, um improvável cheiro de maresia invade a caixa de concreto que me acondiciona. Dada a banzos, minha alma pede: – MAR! MAR!

*inspirada no belo poema de Roney Prazeres que postarei a seguir

 

 *o moço bonito é meu. Eu que fiz. Dado a banzos também!

Na Antessala da Câmara do Carma

Divina Comédia

O que queres para a tua próxima vida,  querida Filha?

Quero ser mãe de muitos filhos.  Quero ser mãe do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos e dos meus filhos da última encarnação. E, se não for pedir muito, quero ser avó do João Antônio de novo também, Senhor!

– O que mais?

– Quero ser ruiva natural. Tô negociando o olho azul e encaro fácil um metro e cinquenta arredondando de novo. 

– Olho azul e cabelo ruivo estão no pacote, Filha!

– Gostaria muito de saber cantar e de tocar piano.

– Mais alguma coisa?

– Quero gostar e ser gostada. Pela mesma pessoa e ao mesmo tempo. E nem precisa ser “para sempre”.

– Ou uma coisa ou outra.

– Gostar, então.

– Mas de novo, Filha? Não queres pensar melhor?

– Não, Senhor Deus! (Enquanto um suspiro me sobe das entranhas).

– Muito bem. Livre arbítrio. Segue em frente até a porta com a inscrição “Condenados”.  Já conheces o caminho.

 

Como Morrem os Sonhos

Rodopio 2

Mãe, tu sabias que existe “ordem alfabética”? Disse a maravilhada menina de uniforme  escolar e cabelo amarrado num rabo de cavalo enquanto literalmente cortava a minha passagem puxada pela mão da mãe apressada.

Quem é que não sabe disso?

 

Em Verdade Vos Digo

As perguntas que não nos fazemos, a Vida fará!

 

Colagem Nicoletta Tomas Caravia

*Imagem: Nicoletta Tomas Caravia

Causa Mortis

Poesia de Gaveta

Toda criança é literária. Lembro de mim, dos filhos, vejo o neto. Todo adolescente é poeta. Basta apaixonar-se por primeira vez que o poeta acorda e o jovem fica repentinamente dado ao devaneio, propenso a pores do Sol, à música e à Poesia. Em um ponto impreciso entre a mocidade e a vida adulta, no entretanto, alguma coisa acontece e o índice de poetas cai vertiginosamente na população ativa.  Em nome do bom senso, da normalidade ou do Produto Interno Bruto, o que for, poemas são abandonados em gavetas entulhadas, livros empoeirados e bolsos de antigos paletós. Os poetas são então caçados, marcados a ferro e encarcerados. _ Mais seguro, dizem.

Alguns ainda se rebelam e, de quando em quando, provocam estranhas reações a furtivas lembranças, músicas e lugares com os parcos recursos de que dispõem: inexplicáveis lágrimas, crises de taquicardia e súbitos arrepios corporais.  Pessoas prudentes reagem e passam a evitar correntes de ar, tomam um antigripal, marcam hora no cardiologista.

Aos poucos as vozes internas aquietam-se e os poetas caminham resignados para os desvãos da alma. Por fim, atam-se a si mesmos aos ferros. A maioria morre de inanição. Outros cometem suicídio. Poucos sobrevivem. Desses, raros ousam rebelar-se na maturidade e, tomados de urgência, desandam a serrar grades com os dentes e a cavar túneis com as mãos na ânsia de ar e de luz.

Por isso, às vezes, no silencioso vagar da noite mais longa e obscura, ouve-se um grito ensurdecedor: – Ahh!  Um poeta está liberto. Mais um.

 

Aos poetas de gaveta

De coração

Norma Bruno

 

*Imagem capturada na Internet

O Eterno Agora

O Tempo não “passa”. Nós passamos. E nessa passagem construímos a ilusão de que haveria um passado, um presente e um futuro. Mas o Tempo É! O que há é um sempre eterno agora.

Relogio Sem Ponteiros 2

*imagem capturada na Internet.

O Cheiro de Pão Assando

seassortment of baked bread

O cheiro do pão assando invade a casa desde a cozinha até o quarto. Invade também minha alma e traz de longe a menina sentada diante do fogão à lenha na casa da Vó Chica. As gurias chamavam: – Vem brincar, Norminha! Eu respondia: – Não tô com vontade. E ficávamos ali, a Vó e eu, em silêncio, ela remendando meias velhas com um ovo dentro. Eu, à espera, enebriada com aquele cheiro bom, com aquela Vó que fazia pão e cerzia meias. Saudade. Bença, Vó!

 

*imagem capturada na Internet

The End

Cinemas abandonados

No Fim a Mocinha morre.

O Mocinho morre.

De Amor.

Os Bandidos também morrem.

De inveja.

 

Do livro Prosa Quase Poesia e Vice-Verso. Tempo Editorial, 2015.

 

*Imagem: Cinemas Abandonados.

Capturada na Internet

Eu

Blog Tecido esgarçado

Em palavras me esgarço.

*Imagem capturada na Internet

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